A ambição de ser poeta já vem longe. A possibilidade de partilhar os meus momentos de desencantos, inspiração ou de devaneios é uma necessidade permanente.
Cada poema tem uma razão de ser, por vezes oculta outras vez com razões evidentes. Considero que tem dois significados: Gostamos dela (porque ao lê-la sentimos algo; ou então ficamos indiferentes e ignoramos), é por esta razão que considero que não devemos comentar um poema.
Se houver mesmo essa necessidade enviem-me um mail: paulo_garces@sapo.pt.
(em actualização)





Libertação

À força do embate violento,
O mar transpõe os obstáculos.
Sem um rumo definido,
Vagueamos ao ritmo do vento.
E a tempestade que se aproxima,
Será um só momento.

As pedras protegem,
O que o rosto não oculta.
O que a força do mar invoca,
É a nossa suprema culpa.
Todo o nosso tormento,
Está entranhado entre os calhaus.
Sem saber onde esconder o nosso lamento,
As ondas, desvanecem pelo ardor que nos aflige.
Os erros que não têm perdão,
São as rochas que rolam pelo chão.

A noite emerge rapidamente,
Como a onda que embala a pedra.
Precedido por um frio gélido,
A brisa agride um rosto cadente.
Penetrando violentamente na alma,
De um corpo já moribundo.
Libertando os derradeiros gemidos,
Na despedida deste mundo.


02.01.2008

Fogo versus água

Como a água, que escorre pela encosta,
O fogo derrama sobre o mar,
A tristeza da nostalgia remota.
Com um olhar hirto ao céu,
A água percorre o sinuoso trilho até ao mar,
Caindo da cascata como um véu.
Ao barulho do estalo do fogo,
Contrapõe a queda abrupta,
De uma gota de água, no silêncio do mar.
O ruído da pólvora que estala,
Não oculta a imponência,
Da água que desagua no mar.
Como a bola de fogo, que emerge do chão,
A água faz o percurso inverso.
Não morre no ar,
Agonizando-se eternamente no mar.


01.01.2008

O embalar do teu colo

Sem poder sentir ,
O embalar do teu colo.
Sem poder sentir o calor do teu abraço.
Partiste, num triste dia do Outono.
Não posso descrever,
O que nunca senti.
Por ser um criança,
Não existe, nem podia existir
A mais ínfima lembrança.

Sei que um dia perdi,
Alguém que seria muito querida.
O tempo passa e nada pode-o deter.
Fica o desejo secreto,
De um dia encontrar-te quando morrer.


08.10.2007
Paulo GArcês

O tempo passa….mas a vida continua

O tempo passa, mas a vida continua.
Na minha memória ficará para sempre,
Os longos 15 anos de convivência.
Aprendi, cresci e vivi,
Com uma pessoa que sempre soube,
Criar as necessárias empatias.
Ao tentar fazer uma retrospectiva ,
Destes longos anos passados,
O balanço só poderia ser positivo.
Aprendi muito, ou melhor, aprendi tudo.
Ao jovem de vinte anos,
Sem experiência laboral ou de vida,
Com a compreensão e muitas vezes,
A sua dedicação, cresci...

A vida é feita de etapas.
Estamos só de passagem,
Em tudo na vida.
Hoje, não é uma despedida,
É a continuação de uma longa amizade,
Que teve inicio no dia 21 de Outubro de 1992.
Resumir numa página 15 anos é impossível.
Para perpetuar no tempo,
Fica esta singela lembrança.
O tempo pode apaga as palavras,
Mas os gestos são imortais.

28.09.2007

Despedida....sentida

Nesta nova etapa da vida,
Queremos demonstrar o nosso apreço,
Pela dedicação, esforço e companheirismo.
Foram longos os anos,
Que perante as dificuldades,
Desafios, sucessos, soubemos sempre,
Contar com o seu apoio.
Não existem palavras, gestos ou emoções,
Que transmitam o nosso agradecimento.
Nesta hora de mudança,
Chegou um novo momento,
Que faz parte da sua vida…
(...)
14.09.2007

Sentir vaidade

Paúl do Mar tão querido,Meu sonho minha lembrança.Eu hei-de sempre voltar,És parte da minha herança.Eu sempre gostei de ti,Da tua simplicidade.Tenho orgulho de ser tua,E de ti sentir vaidade.Judite

Não me alimento das lágrimas de ninguém.

Não me alimento das lágrimas de ninguém.
Não repiso os rancores,
Daqueles que fazem das infelicidades dos outros ,
Em glórias pessoais.
Sobrevivo, com o peito aberto,
Enfrentando as amarguras da vida,
Com um olhar sempre discreto.

Pelas lágrimas de alguém,
O meu coração entristece.
A minha alma fica frágil,
E a alegria de viver desvanece.

Por cada lágrima que escorre numa face,
É menos uma gota de sangue,
Que circula nas minhas veias.
A dor de ver alguém chorar é tão intensa,
Que essas lágrimas, que percorrem um rosto,
Não matam a minha sede,
Só fortalece a minha razão.
Porque as lágrimas dos outros,
Não deveriam alimentar o espírito da ingratidão.


20.07.2007